A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 715/2023, conhecido como a Lei dos Safristas. A medida extingue um antigo fantasma do trabalhador rural: o medo de assinar a carteira no período da colheita e perder o direito ao Bolsa Família. Como o texto já passou pelo Senado, ele segue agora para a sanção do presidente da República.
Nova Lei dos Safristas. (Imagem: CoteCompare)
A mudança promete dar um nó na informalidade histórica do campo, beneficiando tanto quem colhe quanto quem contrata.
O Fim da “escolha impossível” no campo
Até então, o trabalhador temporário da safra (que atua em culturas sazonais como café, cana, laranja e soja) vivia um dilema injusto. Se aceitasse o emprego com carteira assinada, a renda familiar subia temporariamente e o sistema do Bolsa Família cortava o benefício.
O problema real surgia poucas semanas depois: a safra acabava, o contrato terminava e a família ficava sem o salário e sem o auxílio, enfrentando meses de fila no CadÚnico para tentar retornar ao programa. Com a nova lei, esse ciclo foi quebrado.
O que muda na prática?
O novo texto cria regras específicas para proteger o trabalhador sazonal. Veja o comparativo de como funcionava e como funcionará após a sanção:
Critério
Como era antes
Como fica com a Nova Lei
Cálculo da Renda
O salário da safra entrava na renda per capita, gerando a exclusão do Bolsa Família.
O dinheiro da safra é ignorado no cálculo de elegibilidade do Bolsa Família.
Direitos Trabalhistas
Trabalhador preferia a informalidade para não perder o auxílio.
Trabalhador pode ter carteira assinada, FGTS e Previdência sem risco.
Regra de Retorno
Demora de meses na fila do CadÚnico após o fim do contrato de trabalho.
Garantia de retorno imediato ao programa em até 36 meses se houver perda posterior por outro motivo.
Diferença importante: a nova lei é diferente da “Regra de Proteção” geral do Bolsa Família (que reduz o benefício pela metade quando o beneficiário consegue um emprego fixo). Para o safrista, por se tratar de um ganho estritamente temporário e pontual, o valor do auxílio social é mantido de forma integral.
Alívio burocrático para os empregadores
A proposta também trouxe um colchão de segurança para os produtores rurais. Enquanto o governo federal não cria um campo específico e definitivo dentro do sistema do eSocial para identificar os contratos de safra, os patrões ficam dispensados de informar esses dados específicos para fins de manutenção de benefícios sociais.
Essa medida transitória garante que a lei tenha eficácia imediata assim que for sancionada, sem travar o setor produtivo em burocracias de sistema.
Próximos passos
O projeto foi aprovado em votação simbólica e unânime na Câmara. Agora, o texto aguarda apenas a assinatura do presidente para entrar em vigor. A expectativa do setor agropecuário é alta: lideranças estimam que a medida possa ajudar a formalizar mais de 800 mil empregos no campo, resolvendo o apagão de mão de obra que afetava diversas safras pelo país.